Cantareira tem julho mais seco em cinco anos e retirada supera entrada de água

Fonte: Rede Brasil Atual

O Sistema Cantareira vive o pior julho desde 2011. Os 5,7 milímetros de chuvas verificados entre os dias 1º e 25 do mês, correspondem a 11,5% do esperado para todo o mês – há cinco anos, o índice foi 4,2 milímetros de chuvas no mesmo período, 8,5% da expectativa. A situação deve ser pouco alterada nos próximos dias, já que as previsões de chuva não são favoráveis, segundo agências climáticas. A redução das chuvas tem levado a uma queda brusca na vazão de água que chega nas represas.

Para José César Saad, coordenador de projetos do Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Consórcio PCJ), que reúne 43 cidades, a situação alerta que não é possível descuidar do uso racional e da economia de água. “Não podemos facilitar, pois a crise não passou totalmente. Está melhor do que nos dois anos de crise, mas não voltamos ao patamar anterior a ela. É preciso alertar a população e as empresas que não se pode desperdiçar água”, afirmou.

O Sistema Cantareira está com 47,2% da capacidade, descontada a água do volume morto. O volume é praticamente o mesmo que havia há um mês, porém, é menor do que o verificado em julho de 2013 (53,7%), antes de a crise hídrica ser deflagrada. Há 15 dias, a vazão de saída do sistema está superando a de entrada em 4 metros cúbicos de água por segundo – equivalente a quatro caixas de água de mil litros.

Hoje, estão entrando no Cantareira 16 metros cúbicos por segundo (m³/s), enquanto a vazão de retirada está em 21,8 m³/s. Em junho a situação era diferente, com uma afluência média de 26,3 m³/s, contra uma vazão retirada total média de 22,1 m³/s. A redução da afluência é uma situação comum no período seco, entre maio e outubro, mas a falta de chuvas neste mês está mais intensa que esperado pela média de chuvas do período.

Em relação às chuvas, mesmo nos dois anos de estiagem que foram os piores já registrados em São Paulo, a precipitação foi maior para o mês de julho do que em 2016. Em 2014, foram 37,2 milímetros, equivalente a 75% do total esperado. Já em 2015, choveu 38,1 milímetros, aproximadamente 76% do estimado. Confira o comparativo abaixo.

Chuvas

Em 7 de março deste ano, o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), que sempre negou a falta de água em São Paulo, afirmou que a crise estava “resolvida”. Em seguida, determinou o fim das políticas de bônus na conta de água, para quem economizasse, e ônus, para quem gastasse acima da média em 12 meses.

Saad avaliou, no entanto, que o problema enfrentado por São Paulo é global e está longe de terminar. “Teremos ainda muitos anos de problemas. Estamos em uma época de eventos extremos de chuvas ou de seca. Ainda não podemos comemorar”, afirmou.

Em nota, a Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) informou que “a redução das chuvas no período de estiagem já é aguardada todos os anos”. A companhia destaca que o volume de água nos reservatórios é maior que o registrado no mesmo período do ano passado, com aproximadamente 566 bilhões de litros a mais de água, quase três vezes mais do que há um ano “comprovando que a crise já foi superada”. O comparativo, no entanto, leva em conta apenas o segundo ano da estiagem que é considerada a pior da história de São Paulo.

“Além das boas chuvas do início do ano, contribuíram para isso as obras realizadas pela Sabesp e pelo Governo de São Paulo, como a ligação Rio Grande – Alto Tietê, as novas captações do Guaratuba e Guaió, as novas unidades produtores por membranas das Estações de Tratamento de Água do Guarapiranga e do Rio Grande, além das intervenções que possibilitaram a ampliação da integração do sistema. Também estão em andamento e devem ser entregues no ano que vem a interligação Jaguari-Atibainha, o Sistema Produtos São Lourenço e a nova captação do Itapanhaú”, informou a Sabesp.

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