Como é ser negro em uma instituição particular?

13 de maio de 1888, através da Lei Áurea foi o momento na história do Brasil em que a “liberdade total” e definitiva finalmente foi “alcançada” pelos negros brasileiros. Ou seja, para um país de 516 anos, os negros só passaram a serem livres a 128 anos atrás. No livro “O Cativeiro da Terra”, o autor José de Souza Martins, importante escritor sociólogo brasileiro descreve no segundo capítulo a situação de que a liberdade do escravo não é em si a liberdade para o mesmo, e sim para o burguês. Foi uma noção de liberdade compartilhada entre a burguesia capitalista, por esse motivo o escravo “libertado” caiu em indigência e na degradação. Sendo assim, não foi o escravo que se libertou do fazendeiro, pelo contrário.

Tendo em vista todo esse processo histórico, posso afirmar que, ser um aluno negro em uma instituição particular é reafirmar diariamente uma luta de séculos, para validar a continuação de uma batalha que vem sendo por muito tempo um caminho para escapar da desigualdade existente. Todos os dias se encontra um obstáculo novo, afinal, ser um aluno negro e pobre, não é uma tarefa fácil.

Temos que lidar, todos os dias com o preconceito existente dentro da sociedade. Preconceitos quem vem muitas vezes mascarado de uma opinião, ou “apenas” um comentário. É lidar com situações em que as pessoas te julgam ser menor por sua cor de pele, te olham de maneira diferente pelos seus traços e te perseguem por continuar lutando por um mundo mais igual.

De forma estrutural, a população negra nunca teve efetivamente políticas de inclusão realmente funcionais. O atual sistema de cotas é ainda um pequeno passo para diminuir o processo de desigualdade dentro do Brasil, visto que na história brasileira, não se teve um momento em que se olhou para o negro além da cor de pele e lhe permitiu de forma justa e igual os direitos assegurados a um ser humano.

Portanto, venho ratificar que é uma luta diária resistir e lutar contra todo esse processo de desigualdade de pé, mas que mesmo assim, eu continuo seguindo de cabeça erguida por todo um povo que luta para ter seus direitos. Ser negro em uma instituição particular é lutar não só pela minha liberdade, mas pela liberdade do mundo. “Tenho vida, tenho minha liberdade; Eu tenho a vida. ” -Nina Simone.

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Paulo Ricardo Soares é estudante de Relações Internacionais

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