Delegados e procuradores criticam mudanças na Lava Jato com era Temer

Fonte: GGN

As mudanças provocadas na Operação Lava Jato desde que Michel Temer assumiu a Presidência da República em cargo interino não estão agradando membros da força-tarefa e delegados.

Em nota publicada ontem (07), a Associação de Delegados da Polícia Federal criticou a mudança na equipe da Polícia Federal que realiza os trabalhos junto a Sergio Moro, magistrado da Vara Federal de Curitiba. Após uma visita do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, alguns delegados da força-tarefa foram substituídos.

De acordo com a Associação, “é evidente que afastamentos súbitos dessa natureza geram atrasos e prejuízos para as investigações em andamento, que poderiam ser evitados por meio da simples manutenção do grupo atual da Lava Jato”.

O Conselho de Diretores afirmou, ainda, que “expressa seu temor” com a retirada de outra das delegadas da Lava Jato, Erika Marena, a quem o Conselho descreve como “uma das principais coordenadoras da Lava Jato”. “O afastamento da Delegada Erika traria um prejuízo irreparável à continuidade da operação”, afirma.

A Associação criticou a justificativa dada pela direção-geral da Polícia Federal, que autorizou a mudança na equipe: “fala-se em “oxigenação” da operação. Porém, a carência de recursos humanos na Lava Jato é um problema antigo e ainda não superado, principalmente em comparação com operações de outras áreas”.

Por fim, os delegados, ainda que sem responsabilizar o governo interino de Michel Temer pela possível interferência, relacionou a atuação do Ministério da Justiça, comandado por Morais, com a retirada de membros da equipe: “Ao invés de substituir Delegados responsáveis pelo sucesso da operação, o comando da PF e o Ministério da Justiça deveriam trabalhar para aumentar o efetivo da Lava Jato”, publicaram.

Ainda ontem, o procurador da República que comanda os trabalhos, Deltan Dallagnol, voltou a criticar o possível risco à Lava Jato de leis que delimitem a sua atuação.

Dallagnol já havia se manifestado contra a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de não tornar obrigatória a prisão pelos tribunais de segunda instância, a partir da condenação por eles. Na fala, o procurador havia relacionado as prisões preventivas e temporárias, assim como o temor pela punição, com o alcance das delações premiadas.

Mas hoje, o procurador tentou generalizar ao fazer referência à lei de abuso de autoridades que está sendo acelerada por Romero Jucá (PMDB-RR) e Renan Calheiros (PMDB-AL) no Senado e à paralisação do pacote anticorrupção de Dilma Rousseff no Congresso, com a retirada de urgência autorizada por Michel Temer.

“A Lava Jato corre risco desde o seu primeiro dia mas esse risco se intensificou à medida que o número de investigados cresceu, principalmente, investigados influentes e poderosos. Eu não tenho dúvidas de que as iniciativas continuarão a existir. E, neste processo, a nossa única defesa é a sociedade. Por isso, a sociedade e a imprensa devem ficar atentas ao que está acontecendo”, disse Dallagnol, em Congresso na Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital, no Rio.

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