Divididos, petistas discutirão esta semana tese de acordo por plebiscito

Fonte: Rede Brasil Atual

Deputados e senadores da base de apoio à presidenta afastada Dilma Rousseff e contrários ao impeachment têm pela frente um longo processo de discussões e reuniões. É que o próprio partido da presidenta, o PT, está dividido em relação à decisão de se buscar um acordo para convocação de um plebiscito por Dilma, caso ela volte ao Palácio do Planalto. Dilma mencionou a consulta popular sobre a antecipação ou não das eleições presidenciais como uma possível solução para repactuação das forças políticas e para a retomada da governabilidade.

A convocação faria parte de um acordo capaz de ampliar o número de senadores dispostos a mudar de posição na votação final do impeachment, reconduzindo Dilma ao Planalto. Uma das ideias em discussão seria realizar o plebiscito junto com as eleições municipais deste ano, em outubro – o pedido seria encaminhado em caráter de urgência ao Congresso Nacional por Dilma, assim que reassumisse.

Para muitos parlamentares, a ideia é tida como ideal para acabar de uma vez com o golpe imposto contra a presidenta e, ao mesmo tempo, garantir governabilidade no seu retorno ao governo, por meio de um novo pacto democrático – já que haverá o respaldo das urnas.

Mas muitos integrantes do PT, inclusive ex-ministros próximos da presidenta, acham que além de desconstruir os argumentos de há um golpe em curso no país, o plebiscito poderia minar possibilidades para uma candidatura do PT nas eleições presidenciais de 2018 – a serem reconstruídas – e melhor seria que Dilma continuasse seu mandato por mais dois anos.

Durante conversas no final de semana, em Brasília, segundo informações de parlamentares da legenda, houve até senador que avaliou em reservado considerar a preocupação, se for feito este acordo, como uma postura “individualista” da presidenta afastada de “estar querendo salvar a sua própria biografia”. Eles não veem a alternativa como uma preocupação mais abrangente com o PT em si, nem com a reformulação nas bases eleitorais do partido.

O imbróglio passa por discussões com o PCdoB, cujos parlamentares são favoráveis ao plebiscito, e com um dos autores da ideia, o senador Roberto Requião (PMDB-PR). Requião, mesmo sendo do partido do presidente interino Michel Temer, se opõe ao impeachment e foi quem divulgou, na última quarta-feira (8), que jantou com 30 senadores interessados em dar seguimento ao acordo.

Uma das expectativas para que o martelo seja batido são as conversas a serem realizadas durante viagem da presidenta a Salvador esta semana. Dilma será recebida na capital baiana pelo ex-ministro da Casa Civil Jaques Wagner, com quem tem um relacionamento próximo e a quem costuma ouvir.

Petistas que ficaram no final de semana em Brasília acham que uma conversa entre os dois, ao lado de outros integrantes da legenda, poderá ajudar a definir qualquer aceno nesse sentido. A presidenta vai receber quinta-feira (16) o título de cidadã baiana da Assembleia Legislativa da Bahia.

Ampla defesa

“Estamos trabalhando para garantir o direito a ampla defesa por parte da presidenta e para que os trabalhos da comissão de impeachment transcorram de forma correta. Essa questão de plebiscito não está sendo negociada por nós, a princípio”, disse o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). “Mas estamos confiantes independentemente disso, porque acreditamos que, com as últimas denúncias envolvendo peemedebistas, os parlamentares estão percebendo a farsa que foi feita nesse jogo do impeachment e é com isso que contamos para a mudança de votos na sessão final”, observou, evitando se aprofundar no assunto.

O líder do PT na Câmara, Afonso Florence (BA), é mais contundente. Para Florence, que não está trabalhando nas articulações em curso com a hipótese de um plebiscito, a presidenta teria de ser restituída ao posto para o qual foi eleita e concluir o mandato. Segundo ele, a decisão de convocar novas eleições seria uma questão de foro íntimo de Dilma. “Pessoalmente, defendo que ela deveria voltar e exercer seu mandato até o fim.”

Por parte dos movimentos sociais, como MST e CUT, há resistência à ideia. A intenção é de o assunto ser maturado nos próximos dias enquanto a Comissão Especial do Impeachment decide em paralelo, a partir de hoje, se vai prolongar ou não o rito de tramitação do processo inicialmente previsto.

É que a tomada de depoimentos das primeiras testemunhas se estendeu para a madrugada na última semana e os senadores sugeriram que cada sessão passe a ter apenas quatro depoimentos, mesmo que o rito demore mais uma ou duas semanas além do programado. Caso essa proposta seja acatada, em vez de início de agosto, a votação final do impeachment pelo Senado acontecerá no final de agosto ou início de setembro.

Tudo isso vai influir não apenas no clima político vigente até lá, como na decisão dos senadores e na definição desse acordo pela consulta popular. Muita coisa que os petistas, principalmente, devem ter de resolver em meio à defesa da presidenta.

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