Estudantes ocupam mais uma instituição de ensino no Rio de Janeiro

Fonte: Brasil de Fato

Cerca de 280 alunos ocuparam, na quinta-feira (13), a unidade do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) no município de Duque de Caxias, zona metropolitana do Rio. Na terça-feira (11), o IFRJ do bairro de Realengo, na zona oeste, já havia sido ocupado por 100 estudantes. Essas unidades de ensino abrigam cursos do ensino médio, técnicos e de graduação.

As ocupações são uma forma de protesto contra a aprovação em primeiro turno da PEC 241, na Câmara dos Deputados, ocorrida na última segunda-feira (10). A medida impulsionada pelo governo de Michel Temer pretende congelar os gastos públicos por 20 anos. Além disso, os estudantes são contra a reforma do ensino médio e o projeto Escola Sem Partido, apresentado pelos parlamentares da família Bolsonaro (PSC) na esfera federal, estadual e municipal.

“Estamos muito preocupados. Nós vimos como foi feito o impeachment e não temos dúvida de que foi golpe. Agora estamos vendo essas medidas contra a gente. O congelamento dos investimentos coloca em risco nosso IFRJ, que pode até fechar”, afirma a estudante Juliana Viana Barros, de 18 anos, aluna do curso técnico de Petróleo e Gás, do IFRJ de Caxias.

Juliana é uma das ocupantes do IFRJ. De manhã ela estuda em uma escola estadual e a tarde faz esse curso técnico, já pensando em ter uma carreira profissional quando terminar a escola. “Aqui no IFRJ tem jovens, mas também muitos adultos, trabalhadores que buscam uma nova oportunidade, que depositam nos cursos a chance de mudar de vida. E essa PEC é contra todos nós, contra os pobres. Vamos ocupar até ela cair”, destaca a estudante.

Cortes

Em Realengo, os alunos já vinham sofrendo com o corte de recursos que esse instituto federal vem sofrendo há meses. O campus, que oferece cursos de graduação em Farmácia, Terapia Ocupacional e Fisioterapia, faz atendimento à comunidade, mas ultimamente faltam materiais básicos.

Os alunos também temem que a estrutura que era precária possa piorar com a PEC 241. “Nosso campus é novo, foi criado em 2009, e falta uma série de coisas na estrutura. Ele precisa de investimento e melhorias contínuas para ir se adequando. Além disso, atendimento comunitário que fazemos a pessoas de baixa renda corre o risco de acabar, por falta de investimento”, lamenta a estudante de Fisioterapia, Dayane Souza, de 24 anos.

No município de Nilópolis, na Baixada Fluminense, os alunos fizeram um dia de paralização nos três turnos do IFRJ, na quinta-feira (13). Além disso, foi decido em assembleia que os estudantes também irão ocupar a instituição nos próximos dias, segundo informações publicadas nas redes sociais.

Já o campus do Maracanã, fez uma assembleia esta semana, quando os estudantes manifestaram apoio às ocupações, mas ainda não decidiram se vão ocupar ou não essa unidade.

Reitoria

Procurada pelo Brasil de Fato, a reitoria do IFRJ afirmou em nota que não vai intervir. “As manifestações realizadas em alguns campi da Instituição são legítimas e não cabe ao IFRJ nenhum tipo de cerceamento ao livre direito de expressão”.

No entanto, a reitoria afirma que alguns setores funcionaram normalmente. “Os campi deverão permanecer abertos, permitindo o livre trânsito e atuação de servidores/prestadores de serviço e fornecedores autorizados”.

E, ainda segundo o órgão, serão tomadas medidas em respeito às leis, mas não esclareceram quais ações seriam essas. “Os representantes da reitoria e dos campi tomarão as atitudes que se fizerem necessárias para salvaguardar o cumprimento da legislação vigente”, esclarece a direção do IFRJ.

Edição: Vivian Fernandes

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