Exposição na Argentina usa esporte para lembrar atletas desaparecidos durante ditadura militar

Fonte: Opera Mundi

A Escola de Mecânica da Marinha (Esma), localizada no bairro de Núñez, em Buenos Aires, foi um dos principais centros de detenção, tortura e assassinato durante o último período de ditadura na Argentina (1976-1983). Transformada em museu, apresenta agora uma nova mostra que busca relacionar esporte e direitos humanos.

Obras sobre os principais feitos esportivos do país, que têm Lionel Messi, Diego Maradona, Emanuel Ginóbili e Luciana Aymar como alguns dos protagonistas, funcionam quase como uma desculpa para lembrar e homenagear os atletas desaparecidos durante a ditadura e reivindicar “Memória, Verdade e Justiça”.

“Há uma linha de tempo política e esportiva desde os tempos da colonização que explica o contexto social em que ocorreu cada evento”, disse à Agência Efe Claudio Morresi, ex-secretário de Esportes da Argentina (2004-2014) e um dos incentivadores da exposição.

O “Espaço do Esporte e Direitos Humanos”, criado pelo grupo Familiares de Desaparecidos e Detidos por Razões Políticas, que Morresi integra, percorre as principais conquistas do esporte argentino através de fotos, vídeos, áudios, revistas, cartazes, figurinhas e videogames.

Também há uma enorme pintura do artista plástico Sergio Tosoratti, em forma de semicírculo, na qual estão retratados os fatos mais marcantes de cada esporte. Do outro lado, uma linha de tempo relaciona cada evento com o contexto sociopolítico.

Exposição relaciona feitos esportivos da Argentina com atletas desaparecidos durante ditadura

A cada 15 minutos, é ouvido o hino nacional argentino, cantado por diferentes atletas, enquanto cerca de dez televisores transmitem jogadas icônicas da história do esporte.

Os gols de Maradona contra a Inglaterra na Copa do Mundo de 1986, o vice-campeonato conquistado por Messi e companhia na Copa do Brasil em 2014 e outros tantos feitos se repetem várias vezes diante de fotografias com informação de atletas assassinados.

“Tentamos fazer algo que também seja ameno, que não tenha só essa carga de angústia, tristeza e dor que tem a ver com a história triste e obscura de nosso país”, declarou Morresi, que foi jogador profissional e brilhou no River Plate, e cujo irmão foi sequestrado e assassinado em 1976.

Os organizadores planejam ainda uma série de atividades, como um torneio de xadrez em homenagem ao enxadrista Gustavo Bruzzone, desaparecido na cidade de Rosário em 1977.

Várias escolas e universidades organizam excursões para que os alunos conheçam a mostra.

“Emoldurar algo tão popular como o esporte em um contexto histórico pode fazer com que os estudantes interiorizem mais a situação do país”; ponderou Morresi.

A exposição, de caráter permanente, pode ser visitada de quinta-feira a domingo com entrada gratuita em um dos edifícios da Esma, que desde 2004 funciona como um Espaço para a Memória e para a Promoção e Defesa dos Direitos Humanos.

No entanto, Morresi avisa: “Aqui não há permissão para se afligir, há permissão para se comprometer e seguir trabalhando pela memória, a verdade e a justiça”.

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