Maria do Rosário: ‘Espero, respeitosamente, que tenhamos a condenação’

Fonte: Rede Brasil Atual

“É o começo da construção de um resultado que faz justiça, com o acolhimento da denúncia. Não no meu nome, somente. No Brasil, nós temos a cada 11 minutos uma mulher vítima de estupro. Considero que é muito importante que não seja apoiada nenhuma naturalização em torno desse crime”, disse a deputada Maria do Rosário, à RBA, sobre o recebimento da denúncias contra o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), por incitação aos crimes de estupro e injúria.

“As palavras daquele parlamentar foram dirigidas à minha pessoa, mas atingem a todas as mulheres, porque são muitas vítimas”, afirma a parlamentar. “Já que ele falou em humildade diante dos ministros do STF, espero, respeitosamente, que no final desse processo tenhamos a condenação dele.”

A maioria dos ministros acolheu a denúncia (Inquérito 3932) oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) e queixa-crime (Petição 5243) apresentada pela própria deputada.

Após a decisão do tribunal, Bolsonaro declarou à imprensa que a agressão a Maria do Rosário foi um “ato reflexo”. Disse que defende as mulheres e acrescentou: “Apelo humildemente aos ministros do Supremo Tribunal Federal, que votaram para abrir o processo, e não para me condenar ainda, que reflitam sobre esse caso.”

Na opinião do deputado, os processos movidos contra ele têm motivações ideológicas: “São sempre as mesmas pessoas que me processam, (do) PT, PCdoB e Psol”, reclamou.

Bolsonaro é acusado de ter cometido crime em duas ocasiões diferentes: “Os crimes teriam sido cometidos pelo deputado em dezembro de 2014 durante discurso no Plenário da Câmara dos Deputados, quando teria dito que a deputada ‘não merecia ser estuprada’. Também consta dos autos que, no dia seguinte, em entrevista ao jornal Zero Hora, Bolsonaro teria reafirmado as declarações, dizendo que Maria do Rosário ‘é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria’”, informa o site do STF.

A votação na Primeira Turma foi de 4 a 1 pelo recebimento da denúncia. O relator do caso, Luiz Fux, foi acompanhado pelos ministros Luiz Edson Fachin, Rosa Weber e Luís Roberto Barroso. O ministro Marco Aurélio foi o voto vencido.

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