No Rio, Olimpíada esquentará debates. Candidatos de esquerda têm acordo

Fonte: Rede Brasil Atual

Há dez dias, os três candidatos do campo progressista nas eleições municipais do Rio de Janeiro reuniram-se para traçar estratégias que possibilitem, no mínimo, que qualquer um deles que chegar ao segundo turno tenha o apoio dos outros dois. Jandira Feghali (PCdoB), Marcelo Freixo (Psol) e Alessandro Molon (Rede) vão disputar os votos de esquerda na cidade.

Logo após a votação do impeachment na Câmara dos Deputados, em 17 de abril, o PT rompeu com o PMDB do governador Luiz Fernando Pezão e vai apoiar o nome de Jandira Feghali para a sucessão de Eduardo Paes. O voto do deputado Pedro Paulo contra a presidenta Dilma Rousseff foi decisivo para o rompimento. Pedro Paulo também é candidato.

As eleições municipais acontecem em um ambiente e contexto político muito particulares em 2016, ano em que acontece a Olimpíada na cidade (de 5 a 21 de agosto) e se dá o debate nacional e luta contra o golpe e pela democracia no país.

“Estamos buscando ampliar a frente. Tive a iniciativa de chamar uma reunião com Freixo e Molon para ver se a gente conseguia construir uma estratégia de unidade política”, conta Jandira. “Objetivamente, a reunião não apontou para a retirada de alguma das candidaturas, e sim para alguns acordos e protocolos de apoios no segundo turno. Tendo uma das três no segundo turno, os outros apoiam. Esse é o compromisso que a gente estabeleceu.”

Para Marcelo Freixo, as chances de um candidato do campo da esquerda chegar ao segundo turno são grandes. Embora ainda seja prematuro apostar em pesquisas, algumas sondagens têm mostrado que os três progressistas ocupam posições entre os seis primeiros. Segundo pesquisa recente do Instituto Paraná, Marcelo Crivella (PRB) teria 38,1% das intenções de voto, seguido por Marcelo Freixo (Psol), com 11,4%, Flávio Bolsonaro (PSC), com 8,1%, Jandira Feghali (PCdoB), com 7%, Pedro Paulo (PMDB), com 4,4%, e Alessandro Molon (Rede), com 3%.

“Neste momento, são três do campo progressista e cinco do campo da direita entre os oito primeiros. A direita está mais dividida do que a esquerda”, diz Marcelo Freixo. “É importante que a esquerda tenha a capacidade de conversar para que a pauta da cidade seja de esquerda, e que a gente garanta uma candidatura no segundo turno.”

Para Jandira, pesquisas no momento “valem muito pouco”. “Tem muito recall de eleição anterior e as pessoas não estão ligadas na eleição municipal. A questão nacional está tão forte que o eleitor vai se ligar na eleição municipal um pouco mais para a frente.”

Para a deputada, além de explicitar os problemas da cidade, pela visibilidade, a Olimpíada vai também possibilitar “nacionalizar o debate”. “Vai haver um evento internacional no Rio, mostrando as questões e insuficiências do legado (da Olimpíada) para a cidade, mas essa eleição vai ter um componente nacional forte. Até o final de agosto, vamos cruzar o debate local com a luta democrática nacional contra o golpe e contra o impeachment. Essa eleição tem um contexto diferente”, diz Jandira.

Na opinião de Marcelo Freixo, a Olimpíada e a crise na gestão do PMDB no estado, além da crise nacional, terão presença de destaque nos debates. “Teremos os jogos, além de uma crise nacional republicana, uma crise local e uma crise estadual sem precedentes. Vai haver muito debate sobre o modelo de cidade e a gestão do PMDB. Isso coloca o Psol numa posição favorável, uma vez que temos sido muito críticos ao PMDB desde sempre.”

Freixo e Jandira contam com apoio dos movimentos sociais. “Cada um tem a sua história, uma expressão política. A campanha vai mostrar quem une mais, quem tem condição de chegar ao segundo turno”, afirma a deputada comunista. “Minha candidatura envolve uma frente que tem o PT, mas também muitas lideranças do movimento social, do campo e da cidade, para além do PT.”

O deputado Alessandro Molon estaria negociando os apoios do PV e do PPS a sua candidatura. Ironicamente, Molon deixou o PT em setembro reclamando de não ter mais espaço no partido, em função da aliança do PT com o PMDB do governador. Molon não retornou à reportagem.

O PT vai apoiar Jandira “porque é uma deputada bastante combativa, bastante conhecida no município do Rio”, diz Alberto Cantalice, vice-presidente e secretário de Comunicação do PT. “O PT e o PCdoB estão muito mobilizados.”

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