Governo oferece 15,8% de reajuste a 18 categorias em greve; confederação rejeita
17/08/2012

Reportagem de Sarah Fernandes/ Rede Brasil Atual

São Paulo – O Secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, apresentou na manhã de hoje (17) uma proposta de reajuste salarial de 15,8% de 2013 a 2015 para 18 categorias dos servidores federais em greve, que congregam 500 mil funcionários do Executivo.

A proposta, no entanto, “não chega nem perto das nossas reivindicações”, de acordo com o diretor de Comunicação da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), Sérgio Ronaldo da Silva. Eles pedem a equiparação salarial com cinco cargos do serviço público federal – estatístico, engenheiro, geólogo, economista e arquiteto – que possuem tabela remuneratória diferenciada, criada pela Lei 12.277, de 2010.

Ainda assim, Silva vê um avanço. “Não era a proposta que queríamos, mas pelo menos o governo se mostrou aberto a negociar”. Ele e outros diretores da Condsef se reúnem amanhã (18), às 14h, com Sérgio Mendonça, para continuar as negociações. O ministério tem mais 14 reuniões marcadas.

Seriam beneficiadas 18 das pouco mais de 40 categorias profissionais paralisadas, entre elas os funcionários de ministérios, autarquias e fundações do governo federal. Pela proposta, eles receberiam um reajuste de 15,8% divididos em três anos, a partir do ano que vem.

Polícia Federal

Delegados e peritos da Polícia Federal (PF) também seriam contemplados com o reajuste de 15,8% em três anos. Ao contrário de agentes, escrivães e papiloscopistas, eles não paralisaram as atividades, mas já aprovaram indicativo de greve.

O governo federal, por meio do Superior Tribunal de Justiça (STJ), declarou ontem (16) ilegal as operações-padrão da Polícia Federal e da Polícia Federal Rodoviária. Se eles não acatarem a decisão terão de pagar multa de R$ 200 mil por dia.

Em protesto para pressionar por negociação, os policiais fizeram operação-padrão nos aeroportos de Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Recife (PE), Brasília (DF), Confins (MG) e Guarulhos (SP), criando filas.

O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, negou que haja radicalização do governo contra os grevistas. Segundo ele, o que o governo busca é garantir a prestação de direitos essenciais aos cidadãos. Na avaliação do advogado-geral, algumas propostas de reajuste apresentadas pelos servidores em greves são “absurdas”. Adams disse ainda que corte de ponto “não é punição” mas, sim, “cumprimento da lei”.

“A lei determina desconto, estabelece limites à atuação de greve, exige que a sociedade não seja desrespeitada garantindo os serviços essenciais. Queremos é garantir os serviços à sociedade e que as pessoas não sofram abusos ou sejam submetidas a situação vexatória para pressionar o governo a conceder propostas que são, muitas delas, absurdas”, disse Adams, após participar de cerimônia na Advocacia-Geral da União (AGU).

Professores

A greve dos professores das universidades federais e dos técnicos administrativos das instituições completa hoje três meses. As duas categorias foram as primeiras a iniciar a paralisação que hoje conta com 350 mil funcionários públicos.

Ontem parte dos professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) decidiu por suspender a greve, que durava 35 dias na instituição. Parte deles, ligados ao Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), votarão o fim da paralisação apenas no próximo dia 23.  No total, a greve envolve 2 mil professores.
A assessoria de imprensa do Planejamento informou as negociações com os professores já foram finalizadas com a assinatura do acordo com o governo pela Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), em 3 de agosto. A pesar disso, a base ainda mantém greve e tenta reabrir as negociações.

Após um ato na tarde de ontem, em Brasília, os docentes ligados ao Andes caminharam até o Palácio do Planalto e protocolaram uma carta à Presidente Dilma Rousseff pedindo a “a retomada das negociações a fim de que tenhamos avanços em relação ao plano de carreira e às condições de trabalho”.  O texto lembra que, durante sua campanha eleitoral, ela declarou que não “se pode estabelecer com o professor uma relação de atrito quando esse pede melhores salários, recebê-lo com cassetete ou interromper o diálogo”.

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