O esporte é direito das mulheres, mas desigualdade persiste

Fonte: ABCD Maior

As mulheres foram proibidas de participar da longínqua primeira edição dos Jogos Olímpicos em 1896. Faz bastante tempo, mas até hoje o preconceito está enraizado na sociedade. Apesar de o esporte ter se transformado em direito delas, ainda há, por exemplo, desigualdade financeira em relação aos homens.

No meio esportivo, um dos principais redutos machistas do país, o sexo feminino tem um grau de exigência maior para ter sucesso ou visibilidade.

Natália Santana é jornalista especializada na cobertura esportiva e já ficou sabendo de casos de menosprezo. Garante sem titubear: a mulher recebe tratamento diferente. “É um mundo fechado entre os homens. Para nós é muito mais difícil entrar nessa área, a gente precisa provar três vezes mais do que eles que podemos ocupar o cargo e tudo o que fazemos gera dúvidas, sempre há aquela desconfiança”, relata a repórter, sonhando com o dia em que poderá dividir espaço nas coberturas com outras mulheres.

“O preconceito fica nas entrelinhas, as pessoas não falam. Às vezes, na hora de fazer a escala de fim de semana para um grande jogo, ficamos de lado. Somos menosprezadas, às vezes somos contratadas, porém sem o status que merecemos”, completou Natália, que fez trabalho de conclusão de curso na faculdade sobre futebol feminino, que é praticamente ignorado no Brasil. “Já há predisposição na cabeça dos homens de achar que o jogo das mulheres é feio, há falta de vontade de entender a modalidade.”

Patrimônio do basquete de Santo André, Laís Elena aponta a desigualdade financeira nos salários. “Existe uma diferença brutal quando o assunto é dinheiro, falo do basquete por ter mais conhecimento. Um jogador fraco, cabeça de bagre na NBB (que é o campeonato brasileiro masculino), ganha entre 8 e 10 mil reais. Já uma atleta com técnica apurada, acima da média, não ganha nem a metade disso”, lamenta a ex-treinadora. A veterana afirma que jamais sofreu preconceito, entretanto, já fez parte de uma partida organizada pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) para ver se o basquete feminino entraria no programa olímpico.

Quando se fala em preconceito no esporte, logo pensamos no boxe feminino. A modalidade só entrou na Olimpíada para as mulheres em 2012, em Londres. Entrevistamos Letícia Rojo, que já disputou campeonatos e atualmente é professora na modalidade e de muay thai – no qual também é a única árbitra em atividade no Estado. Na experiência com as aulas em academias, ela “perdeu” alguns alunos simplesmente por ser mulher. “Já aconteceu de homens chegarem nas academias que trabalho, verem que a técnica é mulher (ela, no caso) e desistirem da matrícula. Eles acham que a mulher não entende da parte técnica e de competição e só vai fazer oba oba, focar no condicionamento”, revela.

Analisando o boxe competitivo, Letícia diz que a mulher ganha espaço da mídia e de patrocinadores apenas se é bonita. “Para conseguir ter destaque é preciso ser muito boa ou ser linda, gostosa, que aí tem mídia e patrocinador”, opinou a ex-boxeadora. “Acontece isso mesmo, de se colocar a beleza em primeiro lugar. Isso tem relação com a cultura do brasileiro”, concorda Laís Elena.

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