Segue mistério sobre morte de empresário envolvido na Operação Turbulência

Fonte: Rede Brasil Atual

Notícias divulgadas na tarde de hoje (23), em Recife, ainda mostram que a morte do empresário Paulo Cesar de Barros Morato, que tinha tido prisão preventiva decretada na terça-feira (21), pela Polícia Federal, continua repleta de mistérios. Pesavam sobre Morato indícios de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro que pode chegar a R$ 600 milhões e pode ter relação com a campanha à Presidência do ex-governador pernambucano Eduardo Campos, em 2014, pelo PSB (morto em agosto do mesmo agosto em um acidente aéreo) e campanhas anteriores do mesmo partido.

O corpo do empresário será levado de Recife para o Instituto Médico Legal (IML) da Paraíba, para exames mais detalhados. As principais suspeitas são de que ele tenha ingerido veneno, mas não está descartada a possibilidade de assassinato.

De acordo com o médico-legista Marcos Justino, responsável pela necropsia, apesar de ter sido constatado que o empresário não tomou bebida nem fez uso de medicamentos nas últimas horas que antecederam sua morte, o óbito pode ter acontecido na terça-feira e não ontem, quando foi descoberto. O legista também disse – segundo reportagem do jornal Folha de Pernambuco – que a transferência do corpo para outro IML tem como objetivo permitir a realização de um exame toxicológico mais detalhado.

Morato, que estava foragido e passaria a constar da lista de procurados pela Interpol, foi encontrado na suíte de um motel em Olinda, cidade da região metropolitana de Recife, sem marcas de agressões físicas nem de ferimento. Ele deu entrada no motel às 12h da terça-feira e os funcionários do estabelecimento só descobriram que havia algo errado quando acharam estranho o fato de alguém estar há tanto tempo no local sozinho e sem renovar a diária, nem fazer qualquer pedido de bebida ou alimentação.

Perícia cancelada

Várias entidades pernambucanas questionaram, ao longo do dia, se o caso deve permanecer com a Policia Civil do estado ou se deve ser transferido em caráter imediato para a alçada da Polícia Federal. Mas o que provocou surpresa entre repórteres e pessoas que apuram detalhes sobre o ocorrido foi o fato de a equipe policial escalada para realizar a perícia no motel ter chegado ao local por volta das 11h e nem sequer ter entrado na área.

Tudo o que foi divulgado a respeito foi que os peritos receberam uma ordem superior para que não entrassem na cena do crime, na hora em que se preparavam para iniciar os trabalhos. Até agora não foi dada explicação oficial sobre essa suspensão das atividades e a área próxima à suíte continua interditada.

Morato era suspeito de integrar uma organização criminosa formada por, pelo menos, 18 empresas que seriam de fachada e tinham abastecido campanhas políticas de Pernambuco e de todo o Nordeste.

Ele foi apontado como dono da empresa Câmara & Vasconcelos Locação e Terraplenagem Ltda. E foi citado pelo Ministério Público como um dos responsáveis pelo aporte de recursos para a aquisição da aeronave Cesnna, que transportava o ex-governador em 2014, durante o acidente que vitimou Campos e outras seis pessoas.

O grupo foi descoberto pela PF a partir das investigações que apuravam quem seria o dono do avião que transportava Eduardo Campos por ocasião do acidente. Segundo o assessor de imprensa da Polícia Federal, Giovani Santoro, um agente federal está acompanhando as investigações para observar se a morte do empresário tem algo relacionado ao caso, intitulado como Operação Turbulência.

Petrobras e Transposição

O esquema de lavagem de dinheiro que está sendo investigado pela operação já apura o envolvimento de 30 pessoas nos estados de Pernambuco e Goiás. As suspeitas principais são de que o esquema montado tenha sido utilizado no financiamento de campanhas de Campos de 2010 e 2014. E que também tenha atuado no desvio de recursos da Petrobras e das obras de transposição do Rio São Francisco.

“Detectamos nomes de políticos entre os beneficiários dos recursos, mas ainda não podemos afirmar que apenas políticos faziam uso do esquema. Acreditamos que seja um trabalho mais amplo que levará à conclusão das investigações”, afirmou a delegada de Combate à Corrupção, Andréa Pinho, que está atuando no caso. Em nota, o PSB disse que vai esperar a conclusão das investigações e que tem confiança na honestidade de Campos, que na época da morte era também presidente nacional do partido.

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