Sírio e iraniano refugiados competem na Paralimpíada do Rio. Conheça os atletas

Fonte: Rede Brasil Atual

Pela primeira vez na história das Paralimpíadas, realizadas desde 1960, atletas refugiados participarão dos jogos, que ocorrem entre hoje (7) e o próximo dia 18, no Rio de Janeiro. Serão dois competidores, da Síria e do Irã, que disputarão provas de natação e arremesso de disco pela Equipe de Atletas Paralímpicos Independentes. Eles provam que, apesar dos históricos de guerras e conflitos, agora é hora de comemorar: “Depois de 22 anos de treinamento, o meu sonho finalmente se tornou realidade”, diz o nadador Ibrahim Al- Hussein.

Para a Agência das Nações Unidas para Refugiados Acnur a participação dos atletas nos Jogos Paralímpicos é um exemplo de que quando as pessoas refugiadas têm a oportunidade elas conseguem seguir seus sonhos e colocar em prática suas habilidades. O órgão lembrou que as pessoas com deficiência que são forçadas a se deslocar enfrentem inúmeros desafios e correm mais riscos, pois são pouco ouvidas nas decisões e tem dificuldades de acesso à programas de assistência, o que aumente o risco de não terem suas necessidades básicas de proteção não atendidas.

“A Equipe de Atletas Paralímpicos Independentes é um símbolo da força e determinação para todas as pessoas refugiadas com deficiência na superação de desafios significativos. Elas nos inspiram bastante e estamos ansiosos para torcer por elas. Incluir uma equipe de refugiados nos Jogos Paralímpicos também envia uma forte mensagem de apoio a todos os refugiados e solicitantes de refúgio com deficiência em todo o mundo e o Acnur elogia o IPC (Comitê Paralímpico Internacional) por esta iniciativa”, disse o Alto Comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi.

Nos Jogos Olímpicos, realizados entre 3 e 21 de agosto no Rio de Janeiro, dez atletas refugiados competiram sob a bandeira do Comitê Olímpico Internacional (COI). Apesar de não terem ganho medalhas, eles emocionaram a torcia e deixaram uma mensagem importante de coragem e esperança: “somos como todas as pessoas no mundo“, disse a nadadora síria Yusra Mardini, de 18 anos, pouco antes do início dos jogos.

Em 2015, pela primeira vez na história, o número de refugiados superou os 60 milhões (total equivalente à população do Reino Unido) e chegou a 65,3 milhões de pessoas obrigadas a deixar suas casas para fugirem de guerras e perseguições, segundo o Acnur. Desde 2011, quando os conflitos na Síria tiveram início, o número de refugiados não para de aumentar.

Conheça os Atletas

Ibrahim Al-Hussein

Ibrahim Al- Hussein.jpgCresceu em Deir ez -Zor, na Síria, com o costume de nadar no rio Eufrates. Seu pai é técnico de natação e seu treinador e o levou para participar de diversos torneios nacionais e internacionais. Sua carreira como nadador, no entanto, foi interrompida quando a guerra eclodiu e intensos combates chegaram a região em que morava.

Em 2013, Ibrahim correu para ajudar um amigo que tinha sido atingido por uma bomba, e acabou se ferindo: ele perdeu a parte inferior de sua perna direita, abaixo do joelho. Depois disso, conseguiu fugir para a Turquia e seguiu em um barco para a Grécia, onde vive atualmente. “Depois que fui ferido, eu ficava confinado em casa”, disse. “Foi muito difícil não ser capaz de fazer qualquer coisa”.

Após sua lesão, Ibrahim pensou que nunca nadaria novamente, porém a realidade foi diferente: “Às vezes eu vou para a cama à noite e por estar tão feliz eu choro”, diz o jovem que irá competir nos 50 metros e 100 metros nado livre na classe S10, que designa seu no grau de habilidade. Seus tempos já estão alguns segundos acima de suas melhores marcas, quando ainda tinha as duas pernas.

Sua participação nas Paralimpíadas ocorrerá menos de um ano depois de ele ter voltado a nadar, depois de uma pausa de cinco anos. “É impossível descrever a honra que estou sentindo”, diz. “Quando eu descobri que iria competir nos Jogos, eu fiquei tão feliz que nem conseguia parar quieto. Eu não conseguia nem dormir. Foi uma sensação maravilhosa”.

Em Atenas, Ibrahim pratica natação em uma associação grega para atletas com deficiência e caminha utilizando uma prótese. “Agora, tudo que penso é fazer o meu melhor e atingir a minha meta”.

Shahrad Nasajpour.jpgSharad Nasajpour

Iraniano, vive hoje nos Estados Unidos, após ter feito o pedido de refúgio. Ele competirá no arremesso de discos.

O atleta, que tem paralisia cerebral, preferiu não compartilhar sua história por razões pessoais.

Ele afirma que está absolutamente concentrado em aperfeiçoar sua técnica antes dos Jogos.

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